Há muito tempo, em uma floresta da América do Sul, muito antes de o homem branco chegar, uma tribo indígena atravessava um período de profunda escassez. Os alimentos sumiam: a mata rareava animais, os rios e lagos mal mostravam o movimento de um peixe. Não se encontravam mais frutas, nem caças de grande porte, como capivaras, antas, veados ou tamanduás. O silêncio da tardinha era sombrio, pois o chamado dos macucos e jacus já não se ouvia mais, visto que as árvores frutíferas haviam secado. Os índios, que ainda não cultivavam a terra, estavam mergulhados em grande sofrimento.
A alegria, fruto da fartura de outros tempos, havia desaparecido da taba, e a tristeza era a mesma dentro das ocas. Desconsolados, os mais velhos passavam o dia deitados em esteiras e redes, aguardando que o Grande Espírito (Deus) lhes enviasse alguma esperança. No terreiro, as mulheres lamentavam a pobreza em que viviam, enquanto os curumins cochilavam, cabisbaixos e de barriga vazia. Os varões da tribo, por sua vez, vagueavam pela mata sem propósito. Já não armavam mais laços ou mundéus, perguntando-se: “Armá-los para quê?” Os rastros de caça tinham sido desmanchados pelo tempo, datados de luas passadas, de tempos mais felizes.
Tabajara, um velho cacique muito bondoso e querido por seu povo, sofria profundamente com o que acontecia. O chefe, então, orou ao Grande Espírito, pedindo iluminação e oferecendo sua própria vida como sacrifício para livrar seu povo de tanto sofrimento. Então, em um sonho, o Grande Espírito mostrou-lhe o caminho para a libertação da tribo.
Ao despertar, Tabajara reuniu homens e mulheres e anunciou que sua morte estava próxima. Dirigindo-se aos presentes, completou: “Não chorem minha partida. Alegrem-se! Enterrem meu corpo em uma cova rasa, cobrindo-o com palha seca e pouca terra. Após o sol e a chuva chegarem, em cinco dias, surgirá sobre minha cova uma planta bem viçosa. Esta planta, com o tempo, produzirá muitas sementes. Quando virem a planta crescer e as lindas espigas aparecerem, não as comam de imediato; guardem-nas e plantem suas sementes. Este será o alimento de toda a tribo, para sempre.”
Pouco tempo depois, o velho guerreiro, já fragilizado pela idade e pela escassez, sucumbiu. Sua tribo, então, seguiu fielmente suas instruções. Sobre a cova de Tabajara, surgiu uma planta majestosa, com belas espigas repletas de grãos dourados. Suas folhas compridas pareciam a lança do Cacique, e sua flor vistosa lembrava o cocar do chefe. A tribo descobriu que sua espiga era um delicioso e nutritivo alimento.

Os índios ficaram imensamente contentes e agradecidos ao Grande Espírito e ao seu cacique. Assim, passaram a cultivar o milho com carinho e dedicação. A tribo prosperou, e a caça, a pesca e as frutas voltaram a ser abundantes na floresta.
Desta forma, segundo a lenda, surgiu o milho.
fonte: https://www.espacoeducar.net/2014/08/folclore-atividade-lenda-do-milho-com.html
Adaptação: André Souza


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