Mais que uma Herança
Por trás da jornada de dois irmãos, o clássico de 1988 revela uma lição profunda sobre o maior medo de pais de autistas: a garantia do amparo quando eles não estiverem mais aqui.
Quando “Rain Man” estreou em 1988, o mundo foi cativado pela complexa dinâmica entre Charlie Babbitt (Tom Cruise) e seu irmão autista, Raymond (Dustin Hoffman). Vencedor de quatro Oscars, incluindo Melhor Filme, a obra é um marco na representação do autismo na cultura pop.
Porém, revisitando o filme com um olhar contemporâneo, uma camada mais sutil e comovente se destaca: a atitude do pai, Sanford Babbitt. O que inicialmente parece uma rejeição ao filho mais novo, Charlie, revela-se um ato meticuloso de amor para proteger o filho mais vulnerável.
O Amor na Manutenção do Cuidado
A trama central gira em torno de Charlie descobrindo que seu pai deixou sua fortuna de 3 milhões de dólares para um beneficiário anônimo — a instituição que cuida de Raymond. A revolta inicial de Charlie nos cega para a realidade de Sanford.

Sanford sabia que Raymond, com necessidades de suporte significativas (hoje classificadas como Nível 3), precisava de uma garantia vitalícia de segurança. A “herança” não era um prêmio, mas um fundo de sobrevivência para manter o conforto, a rotina e a dignidade do filho.
“Muito maior que a trama central, o olhar sobre a atitude do pai foi a manutenção do cuidado. Ele garantiu que, mesmo em sua ausência, o filho estivesse amparado.”
Georgia Gonçalves
Atuações Magistrais e Sensibilidade
“Rain Man” se sustenta em um duelo de atuações impecáveis que trazem dignidade ao tema:
- Dustin Hoffman (Raymond): Sua performance evitou a caricatura, trazendo humanidade aos maneirismos, à rigidez de rotina e às dificuldades de comunicação. Ele mostrou que, por trás da falta de contato visual, havia uma pessoa completa.
- Tom Cruise (Charlie): Cruise entrega a âncora emocional. É através dele que o público transita da ignorância para o afeto. A evolução de Charlie, de um homem ganancioso para um irmão protetor que recusa dinheiro para ficar com Raymond, é o coração do filme.
Rain Man ganhou quatro Oscars em oito indicações e também transformou Tom Cruise em uma estrela de prestígio.
Onde assistir?
O filme está diponível em algumas plataformas de streming, mas abaixo você pode assistir o filme completo no Tokyvideo

Assista aqui: Prime Video, AppleTV
Serviço: O Direito Real Além da Ficção
O medo do desamparo após a morte dos pais não é exclusividade do cinema.
Na vida real, a legislação brasileira oferece uma proteção que funciona como a “herança de Sanford”: a Pensão por Morte. E aqui reside uma informação vital que muitos pais desconhecem e que muda tudo.
1. Autismo é Considerado Deficiência?
Sim. Segundo a Lei 12.764/2012, a pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Isso significa que filhos com autismo, mesmo maiores de 21 anos, mantêm o direito à Pensão por Morte na condição de dependentes. E mais: o filho com autismo possui prioridade no recebimento, juntamente com o cônjuge do falecido.
2. A Grande Diferença: Invalidez x Deficiência
Esta é a maior dúvida das famílias e onde a lei protege a dignidade do autista. Não é preciso ser inválido para receber a pensão. A lei previdenciária diferencia claramente as duas situações:
- Invalidez: A pessoa está incapacitada total e permanentemente para o trabalho (Ex: uma tetraplegia após acidente).
- Deficiência (O caso do Autismo): O indivíduo é considerado uma Pessoa com Deficiência (PcD), mas isso não significa que ele seja incapaz de trabalhar.
Atenção: Mesmo que a pessoa com autismo tenha capacidade para trabalhar e gerar renda, ela pode ter direito à Pensão por Morte. A deficiência intelectual ou mental garante o benefício pela vulnerabilidade social, não pela incapacidade laboral.
Conclusão
Assim como o pai de Raymond em “Rain Man” usou sua fortuna para criar uma rede de proteção, a legislação brasileira oferece ferramentas para que esse cuidado continue. O planejamento previdenciário é, hoje, a forma mais concreta de dizer “eu te amo” e garantir que o futuro dos filhos atípicos seja seguro, digno e protegido.
Referências Bibliográficas:
Lei 12.764/2012 (Lei Berenice Piana)
AdoroCinema – Rain Man
Wikipedia – Rain Man


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