Raun Kaufman nasceu em perfeita saúde, com o médico anunciando com triunfo que ele era “perfeito, como todos os milagres”. Seus pais já tinham duas filhas igualmente saudáveis. No entanto, à medida que os meses passavam, eles começaram a notar que Raun parecia estar constantemente distraído e distante. Raramente ele demonstrava consciência do mundo ao seu redor. Foi só depois de algum tempo que eles descobriram que o filho apresentava dezenas de sintomas relacionados ao autismo e estava cada vez mais isolado em seu próprio mundo.

Os especialistas expressam um profundo pessimismo em relação à situação. No entanto, os pais não aceitam o prognóstico sombrio de forma precoce e decidem tomar medidas. Eles optam, de comum acordo, por mergulhar no mundo de seu filho, acreditando no poder transformador do amor. O filme retrata precisamente essa jornada do casal em sua luta para auxiliar Raun e promover o desenvolvimento de suas capacidades cognitivas e emocionais. Por meio de uma série de tentativas e erros, eles desenvolvem uma abordagem única, que se torna conhecida como o “Programa Son-Rise.” O nome, em inglês, é um jogo de palavras com “son” (filho) e “rise” (levantar-se, nascer), fazendo uma alusão ao conceito de nascer do sol.

Os pais de Raun são retratados com notável sensibilidade e autenticidade por James Farentino e Kathryn Harrold. O papel de Raun é desempenhado alternadamente pelos gêmeos Michael e Casey Adams, que tinham apenas 3 anos na época. O filme é baseado no livro de Barry Neil Kaufman, pai de Raun, intitulado “Son-Rise: A Miracle of Love,” no qual Barry compartilha toda a jornada que ele e sua esposa percorreram até alcançarem a recuperação de seu filho. “Meu Filho, Meu Mundo” se encaixa no estilo de telefilmes que estava em alta durante a segunda metade da década de 1970. A direção do filme ficou a cargo de Glenn Jordan, e a canção-tema emotiva, “Is There Room in Your World for Me?,” foi interpretada por Debby Boone.

O filme teve sua estreia no canal americano NBC em 14 de maio de 1979, causando um grande impacto e sendo assistido por uma audiência global de mais de 300 milhões de telespectadores. No Brasil, o filme foi apresentado pela primeira vez na Globo em 12 de abril de 1980. Seu sucesso foi tão significativo que a emissora decidiu reprisá-lo apenas duas semanas após a estreia original. O filme “Meu Filho, Meu Mundo” tocou profundamente o público feminino, a ponto de gerar uma resposta significativa em forma de cartas dos espectadores. Hugo Gomez, em sua análise na seção “Os filmes de hoje” do Jornal do Brasil em 27 de abril de 1980, mencionou que, apesar do foco emocional inevitável, o filme se destacava pelas excelentes atuações, em particular a de Kathryn Harrold e, notavelmente, do jovem ator Casey Adams, que, apesar de sua pouca idade, demonstrou um talento natural para a atuação.

Por outro lado, o crítico do jornal Folha de S. Paulo na mesma data expressou um nível menor de entusiasmo. Ele comentou que era questionável o fato de um telefilme, lançado no ano anterior nos Estados Unidos, chegar ao público mais rapidamente do que muitos filmes nacionais que ainda não haviam sido lançados desde 1976. A trama do filme envolve um casal com dois filhos, mas com o nascimento do terceiro, eles descobrem que a criança sofre de uma séria doença mental, e a terapia resolve todos os problemas.
Por sua vez, John J. O’Connor, em sua análise no New York Times em 14 de maio de 1979, reconheceu que “Meu Filho Meu Mundo” era claramente um tipo de produção inspiradora que a televisão costuma atrair. Ele destacou que a história era, de fato, emocionante, mas alertou para a necessidade de cautela. O crítico observou que o autismo é uma condição misteriosa e dolorosa e que ao retratar os médicos como insensíveis e rígidos em contraste com os Kaufmans, o filme poderia inadvertidamente criar expectativas irrealistas e cruéis para outras famílias que enfrentam o autismo. Ele também ressaltou que o caso de Raun era excepcional e que essa singularidade não era enfatizada o suficiente na produção.
Assista o filme completo (duração: 1h37)
Na realidade, a abordagem terapêutica desenvolvida pelos pais de Raun Kaufman, que não eram profissionais da área, tem sido muito bem-sucedida ao longo do tempo. Atualmente, Raun ocupa o cargo de diretor executivo, é escritor e atua como professor no Option Institute and the Autism Treatment Center of America. Ele dedica seu trabalho a ajudar indivíduos, famílias e grupos afetados pelo autismo, além de ministrar palestras sobre o tratamento dessa condição.
Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.
1 Coríntios 13

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