No Dia Internacional da Mulher (08/03), refletimos sobre a realidade de mulheres que enfrentam a violência doméstica enquanto cuidam de filhos com necessidades especiais
Hoje, 8 de março, o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher. Mas para milhares de mães brasileiras, especialmente aquelas que criam filhos atípicos, essa data traz uma reflexão dolorosa: a violência doméstica não escolhe vítima, mas escolhe as mais vulneráveis para causar o maior dano.
A Cartilha que Abre os Olhos
A cartilha “Basta de Violência”, desenvolvida pelo Instituto Um Novo Olhar, traz um alerta fundamental: a violência emocional e psicológica, muitas vezes praticada em relacionamentos abusivos, pode evoluir para agressão física e, no limite, ao feminicídio.

Para as mães atípicas, esse cenário é ainda mais devastador. São mulheres que já enfrentam desafios extraordinários no dia a dia: consultas médicas, terapias, lutas por inclusão escolar, batalhas por direitos — e, muitas vezes, carregam sozinhas a responsabilidade de cuidar de filhos que precisam de atenção especial.
Quando o Agressor Usa o Filho como Refém
A violência psicológica contra mães atípicas ganha contornos ainda mais cruéis. Frases como “Você não aguenta nada”, “Ninguém mais vai querer você com esse filho”, “Se você me denunciar, eu tiro a guarda da criança” são armas emocionais que prendem essas mulheres em ciclos de abuso.

A dependência financeira, o medo de perder a guarda dos filhos, a vergonha e o isolamento social criam uma teia da qual parece impossível escapar. E os filhos atípicos? Testemunham tudo. Sofrem em silêncio. Carregam marcas invisíveis que podem se refletir em regressões comportamentais, crises de ansiedade e até na reprodução desse padrão de violência no futuro.
Medidas de Proteção: Mais do que um Direito, uma Necessidade de Sobrevivência
É aqui que entra a importância de profissionais que compreendem a profundidade dessa realidade. Dra. Georgia Gonçalves, Analista do Comportamento e referência no atendimento a famílias atípicas, entende que medidas protetivas não são apenas instrumentos jurídicos — são linhas de vida.
“Quando uma mãe atípica consegue uma medida de proteção, ela não está apenas se protegendo. Ela está garantindo que seus filhos possam continuar suas terapias, suas rotinas, suas vidas sem o peso do medo constante. A proteção à mulher é também a proteção ao desenvolvimento saudável da criança atípica.”
A Lei Maria da Penha oferece instrumentos poderosos: medidas protetivas de urgência, afastamento do agressor do lar, proibição de aproximação, entre outros. Mas para funcionarem, precisam ser aplicadas com sensibilidade à realidade específica de cada família.
O Instituto Um Novo Olhar: Um Exemplo de Esperança
A cartilha destaca o trabalho do Instituto Um Novo Olhar, fundado pela Dra. Carla Góes, que oferece gratuitamente tratamento médico, psiquiátrico, assistência social, jurídica e psicológica a vítimas de violência doméstica. O instituto é pioneiro na América Latina em atendimento psiquiátrico gratuito para essas mulheres e realiza cirurgias reparadoras faciais — reconstruindo não apenas rostos, mas autoestimas.
O Que Você Precisa Saber
A cartilha reforça mensagens essenciais:
- Você não é culpada pelo comportamento agressivo de outra pessoa
- Você e sua família não merecem passar por abusos e violência
- A violência se repete se não houver uma postura firme
- Idosos e crianças também são vítimas — e os filhos atípicos sofrem duplamente
- A violência doméstica é crime — e deve ser denunciada
- Existem pessoas trabalhando para mudar essa realidade
Não Se Cale!

Se você é uma mãe atípica vivendo em situação de violência, saiba: você não está sozinha. A proteção que você merece existe, e há profissionais como a Dra. Georgia Gonçalves que compreendem que a sua segurança é inseparável do bem-estar dos seus filhos.
Canais de Denúncia:
- Disque 180 — Central de Atendimento à Mulher
- Delegacia da Mulher mais próxima
- Instituto Um Novo Olhar: (11) 93700-1200
Neste 8 de março, a Casa do Corujinha reforça seu compromisso: toda mulher merece proteção, toda mãe atípica merece ser amparada, toda criança merece crescer sem violência.
A violência doméstica não é problema de mulher — é problema de sociedade. E a solução começa quando cada uma de nós diz: Basta.
Fonte: Cartilha “Basta de Violência” — Instituto Um Novo Olhar


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