MATERIAL DE APOIO
Treino 3.1 — Compreender e Responder a Instruções de Um Passo
Compreender uma orientação simples e responder de maneira funcional em atividades, brincadeiras, rotinas e situações do cotidiano.
Qual é o objetivo desta habilidade?
Responder a uma instrução de um passo significa compreender uma orientação simples apresentada por outra pessoa e realizar a ação correspondente.
Essa habilidade pode favorecer compreensão da linguagem, participação em atividades, aprendizagem, autonomia, interação social e segurança, desde que seja ensinada de forma funcional e compatível com o repertório da criança.
PRINCÍPIO IMPORTANTE
Seguir uma instrução não significa ensinar obediência irrestrita
O objetivo não é fazer com que a criança execute qualquer ordem dada por um adulto. O ensino deve favorecer a compreensão de orientações claras, adequadas, funcionais e seguras.
Ao mesmo tempo, a criança também precisa aprender habilidades de escolher, recusar, pedir ajuda, comunicar desconforto e dizer não quando apropriado.
Exemplos de instruções de um passo
Rotina
“Pegue o copo.”
“Coloque o sapato.”
“Guarde o brinquedo.”
Atividade
“Coloque aqui.”
“Abra a caixa.”
“Entregue a bola.”
Segurança
“Pare.”
“Espere.”
“Venha aqui.”
Comece com instruções claras e possíveis
No início, prefira instruções curtas, relacionadas a ações que a criança já consegue executar fisicamente e utilizando objetos ou atividades conhecidos.
- Apresente uma ação por vez.
- Utilize linguagem objetiva.
- Evite repetir a mesma instrução muitas vezes em sequência.
- Ofereça ajuda quando necessário.
- Reduza gradualmente os apoios conforme houver aprendizagem.
- Crie oportunidades em situações naturais, não apenas em tarefas de mesa.
Como utilizar este material
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Antes do treino, identifique quais instruções a criança já compreende, quais ações consegue executar e quais tipos de ajuda ainda são necessários.
O que observar durante o treino
- A criança se orienta para a instrução apresentada?
- Compreende as palavras utilizadas?
- Conhece o objeto ou ação solicitada?
- Inicia a resposta após a instrução?
- Realiza a ação correta ou uma ação diferente?
- Necessita de gesto, demonstração, pista visual ou ajuda física?
- A resposta acontece apenas quando o adulto aponta ou mostra o que fazer?
- Consegue responder à mesma instrução apresentada por outras pessoas?
- Consegue realizar a habilidade em outros ambientes e situações?
ATENÇÃO À INTERPRETAÇÃO
Não realizar uma instrução não significa automaticamente não compreender
Quando a criança não executa uma orientação, é necessário analisar o que aconteceu antes de concluir que ela “não atende comandos”.
A dificuldade pode estar relacionada à compreensão da linguagem, discriminação da instrução, atenção ao contexto, habilidade motora necessária, excesso de estímulos, motivação, dificuldade de transição ou necessidade de apoio.
Observe o que realmente controla a resposta
Se o adulto diz “pegue a bola” enquanto aponta para a bola, a criança pode estar respondendo ao gesto e não necessariamente à instrução verbal.
As pistas são importantes durante a aprendizagem, mas precisam ser planejadas e gradualmente reduzidas quando o objetivo é que a criança responda à linguagem apresentada.
A habilidade precisa funcionar fora do treino
Responder corretamente apenas durante uma sessão estruturada não garante que a criança compreenda a instrução em outros contextos. Após a aquisição, pratique a habilidade com diferentes pessoas, objetos e ambientes.
- Na sala de atendimento.
- Durante brincadeiras.
- Em atividades de autocuidado.
- Em casa.
- Na escola.
- Em situações naturais da rotina.
Importante
Materiais de apoio não substituem avaliação individualizada. Antes de selecionar as instruções, considere linguagem receptiva, repertório motor, familiaridade com objetos e ações, nível de ajuda, condições ambientais, motivação, generalização e relevância funcional da habilidade.
Casa do Corujinha
Compreender uma instrução é uma habilidade de linguagem e participação. O objetivo não é produzir obediência automática, mas ampliar compreensão, autonomia, segurança e capacidade de agir no cotidiano.
